Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro


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Nosso Artesanato

artesão finalizando banco tukano

Mestre artesão de banco tukano

O que hoje chamamos de artesanatos na verdade são artefatos muito usados nos afazeres do nosso dia a dia, como a pesca, caça, agricultura e etc. Esses artefatos possuem técnicas milenares de confecção e possuem marcas da nossa identidade cultural, evidenciadas pelos tipos de trançados, desenhos, pinturas e matérias-primas utilizadas. E neles também estão presentes as histórias dos nossos antepassados, que são repassadas para as futuras gerações quando ensinamos nossos filhos a confeccioná-los.

No rio Negro, tradicionalmente, existe uma divisão de gênero na confecção de artesanato. Por exemplo, as mulheres fazem utensílios de cerâmica, cuias, fiação de tucum para cordas, enquanto que aos homens cabe a produção dos objetos cerimoniais e toda a cestaria (exceto os aturás de cipó titica de produção da mulheres maku). Também existem artefatos comuns entre nós, usados praticamente em toda região, como no caso dos utensílios de cozinha: aturás, titipi, cumatá, peneira, abanos, jiraus e outros.

Por razões simbólicas e sócio-ecológicas, existe uma especialização artesanal entre as etnias do rio Negro. Isso permite que estabeleçamos uma rede de trocas intercomunitária e inter-étnica. Na região do rio Uaupés por exemplo, os aturás mais valorizados são os feitos pelos povos Maku. Os ralos baniwa, são de especialidade única dos povos Baniwa e Coripaco da bacia do rio Içana que trocam ou vendem esses artefatos por toda a região. Ademais os Baniwa, assim como os Desana,  também são especialistas na produção de cestaria. Os Tukano são mais conhecidos por seus bancos cerimoniais de madeira. Os Kubeo pelas suas máscaras funerárias. Os Wanana por seus tipitis. Os Maku também são conhecidos pela confecções de flautas pã e o curare. Os Tariana pelas zarabatanas. Os Tuyuka e Bará são especialistas na construção de canoas que é um artigo de primeira necessidade para todas as comunidades.

Fontes consultadas:

Cabalzar, Aloísio.; Ricardo, Carlos A.: Povos Indígenas do alto e médio Rio Negro: uma introdução à diversidade cultural e ambiental do noroeste da Amazônia Brasileira. São Paulo: Instituto Socioambiental; São Gabriel da Cachoeira: Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, 1998.

Ribeiro, Berta. Os índios das águas pretas: modo de produção e equipamento produtivo. São Paulo: Companhia das Letras: Editora Universidade de São Paulo, 1995.