Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro


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Culinária do rio Negro: o sabor do nosso saber

Banquete da Dona Brazi

Para se entender o que é a culinária dos povos do rio Negro, é preciso revisitar nossos antepassados. Todos os nossos alimentos e formas de produção tem sua história e seus donos que são os seres mitológicos. Por exemplo, o ser Basebó (para os Tukano), o “Gente Maniva”, é o deus que ensinou os povos indígenas a cultivar as roças e  fazer alimentos saborosos. Foi por meio desses ensinamentos que desenvolvemos técnicas para produção de alimentos e subsistência manejando a floresta, os rios e cultivando as roças. E é exatamente a roça a nossa maior fonte de produção de alimentos. É lá que são plantadas as centenas de variedades de mandioca-brava, base da nossa dieta. Dela fazemos: a farinha, o mingau, o beiju, tapioca, tucupi, caxiri etc. Mas ainda cultivamos muitas outras plantas como tubérculos, abacaxi, caruru etc. E  além de árvores frutíferas como ingá, jambo, umari, ucuqui, pupunha e outras.

Outro importante alimento que cultivamos é a pimenta. Temos uma infinidade de espécie de pimentas e delas preparamos a jiquitaia, que é a pimenta em pó com ou sem sal. Preparamos também o arubé e a própria quinhapira que é o caldo de peixe com pimenta. O peixe vem dos nossos rios e lagos. Estes podem ser consumidos assado, cozido em caldo, moqueado ou frito.  Também consumimos animais da floresta que caçamos como, paca, cutia, anta e outros. Na maioria das comunidades consumimos a quinhapira pela manhã e pela tarde compartilhamos com toda comunidade na casa comunitária. Também durante a manhã consumimos mingau, seja de banana, farinha, caruera e outros tipos.  O chibé, que é água com farinha, também é consumido em qualquer hora do dia, sendo este um alimento refrescante que sacia a sede e a fome. Geralmente nossas merendas podem ser vinho de açaí, de bacana, patauá ou buriti.

Nossa comida, nossa identidade

Com o passar dos anos e pressão sofrida pelo contato com os brancos, muitos dos conhecimentos tradicionais sobre culinária foram esquecidos ao longo da nossa trajetória.  Antigamente, mesmo em época de escassez de peixe por exemplo, nossos antepassados sabiam de onde retirar alimentos da floresta e das roças, que supriam nossas carências nutricionais. Hoje, esse saber está sendo revitalizado por meio das iniciativas de projetos de valorização da nossa alimentação tradicional e sistemas de produção de alimentos. Um dos mais valorosos resultados dessas iniciativas é o reconhecimento pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional) do nosso sistema agrícola tradicional como Patrimônio Cultural Imaterial do povo brasileiro e este bem está registrado no Livro dos Saberes. Saiba mais.

E mesmo vivendo nas cidades, as famílias não abandonam sua comida tradicional. Elas cultivam suas roças em áreas periurbanas, compram peixe nas feiras e usam ingredientes da culinária rionegrina para fazer sua quinhapira e outras receitas locais. Essa valorização das práticas tradicionais da nossa culinária, fortalece nossa identidade como povos indígenas do rio Negro e nos aproxima ainda mais dos familiares e antepassados.

Saiba mais:

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Vídeo com nossas comidas tradicionais