Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro


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O sabor do nosso saber

receitas indigenas

Pimenta preparada para ser colocada na quinhapira.
©Comidas Tradicionais Indígenas do Alto Rio Negro

Todas as receitas abaixo foram extraídas do livro “Comidas Tradicionais Indígenas do Alto Rio Negro”, um dos produtos de uma pesquisa que congregou, entre 2005 e 2007, pesquisadores e lideranças femininas indígenas em busca de promover a soberania alimentar das populações nativas que vivem em São Gabriel da Cachoeira. A iniciativa é parte integrante do projeto Ambiente, Cidadania e Saúde das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro, apoiado pelo Ministério do Meio Ambiente/CNPq e pelo Centro de Pesquisas Leônidas & Maria Deane, uma unidade da Fundação Oswaldo Cruz na Amazônia. Ela contou com a ativa participação de associações urbanas de mulheres indígenas da cidade de São Gabriel da Cachoeira, do Departamento de Mulheres da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro e da Organização Indígena da Bacia do Rio Içana.

Quinhapira de Aracu com Caruru e Tucupi Preto com Saúva

Trate o peixe, coloque um pouco de sal e guarde numa vasilha. Pegue o caruru, separe o talo dos folhas e lave bem; aproveite só as folhas. Amasse as folhas com as mãos para retirar o sumo. Cozinhe bem o caruru até sair todo o verde das folhas, depois guarde numa vasilha e reserve. Coloque o peixe numa panela com água para ferver; misture sal, pimentas de diversos tipos e tucupi preto e deixe ferverjunto com o peixe.

Depois que o peixe tiver cozinhado por algum tempo, apanhe algumas pimentas e um pouco do caldo da panela que está no fogo e coloque numa vasilha à porte. Amasse essas pimentas no caldo que foi separado e depois devolvo tudo para a panela; deixe a fervura continuar. As pimentas que foram amassadas deixarão a quinhapira bem ardosa.
Prove o caldo para verse está bom de sal; se não estiver, retempere. Quando o peixe estiver quase mole, coloque o caruru e ferva até amolecer o peixe. O tucupi preto usado nessa receita é preparado alguns dias antes e pode ficar guardado em casa. Ele é preparado da massa de mandioca mole, misturada com a massa de mandioca fresca ralada. Essa mistura deve ser amassada no tipiti; do caldo que escorre é que se faz o tucupi preto. Esse caldo, aparado em uma vasilha colocada embaixo do tipiti, é cozinhado por mais ou menos uma hora, até ficar com uma cor marrom. Se a cozinheira tiver saúva, pode separaras cabeças das formigas e colocar dentro da vasilha em que guarda o tucupi. Ele é usado para temperar muitos tipos de comida.

Quinhapira de Tucupi Doce e Amarelo

Dona da Receita: Albertina da Silva Barreto
Etnia: Baré / Associação Arte Poranga Indígena do Rio Negro – AAPIRN

Ferva o tucupi em uma panela por uma hora, no fogo a lenha. Separe pimentas inteiras de diversos tipos (periquito, jacitara, urubuquinha, murupi, curucuriquinha e outras). Trate o peixe, corte em pedaços e separe. Depois de ferver bem o tucupi, coloque os pedaços de peixe na panela. Para esse prato pode ser usado o tucupi da massa da mandioca ainda doce, com um pouco de manicuera que deve ser misturada com água, para a comida não ficar doce.

A quinhapira pode ser acompanhada de beiju seco, beiju de goma, farinha e chibé de açaí.

Dona da Receita: Maria Taurina Barreto

Etnia: Baré
Associação Arte Poranga Indígena do Rio Negro – AAPIRN

Quinhapira de Aracu com Taioba

Trate o peixe, coloque um pouco de sal e guarde numa vasilha. Pegue a taioba separe o talo das folhas e lave bem. Com uma faca corte os folhas em pedaços bem graúdos. Escalde as folhas da taioba e guarde numa vasilha. Depois coloque o tucupi amarelo numa panela com água para ferver, acrescente pimentas de diversos tipos e os pedaços das folhas de taioba. Deixe ferver por algum tempo; quando a taioba tiver bem mole, junte o peixe para cozinhar. Deixe ferver até que as pimentas se desmanchem no caldo, para daro gosto e deixar a quinhapira bem ardosa.

O tucupi amarelo usado nessa receita pode ser preparado alguns dias antes e ficar guardado por vários dias. Ele é retirado da massa de mandioca dura ralada, espremida em cumatá para separar o tucupi e a goma. Depois de espremer a massa, deixe o líquido descansar por três horas para separar a goma e o tucupi. Pegue uma panela e despeje o tucupi dentro. Faça um fogo com bastante lenha, ponha a panela no fogo e mexa com o maçarico de madeira até ferver; mexa bem que é para o tucupi não ficar ralo nem transparente. Use para temperar vários tipos de peixes.

Quinhapira de Peixe com Tucupi e Caruru

Dona da Receita: Albertina da Silva Barreto
Etnia: Baré
Associação Arte Poranga Indígena do Rio Negro – AAPIRN

Ferva o tucupi numa panela por uma hora, no fogo a lenha. Separe as folhas do caruru, lave e escalde em água quente. Tire o caruru da água, amasse e esprema paro tirar o sumo e evitar que a comida fique amarga. Coloque numa vasilha à parte. Para esse prato pode ser usado o tucupi da massa da mandioca ainda doce, junte um pouco de manicuera e água. Depois da fervura de uma hora, coloque os temperos no tucupi: sal, caruru, e pimentas inteiros de diversos tipos (jacitara, urubuquinha, uirauaçú puampé, curucuriquinha e outras). Trate o peixe, corte em pedaços e deixe separado. Quando o caruru estiver quase mole, coloque os pedaços de peixe na panela, com tucupi já temperado e aferventado; deixe cozinhar até o peixe amolecer. Quando a quinhapira estiver no ponto, tire do fogo e sirva. O prato pode ser acompanhado com beiju seco, beiju de goma ou farinha. Quando preparar quinhapira com caruru, use pimentas de tamanho grande, para evitar que elas se embaralhem nas folhas do caruru e que uma pessoa morda uma pimenta por acidente.

Caldeirada de Aracu com Pimenta Murupi e Tucupi Preto

Dona da Receita: Albertina da Silva Barreto
Etnia: Baré
Associação Arte Poranga Indígena do Rio Negro – AAPIRN

Numa panela de caldeirão coloque água para ferver em fogo bem alto. Quando começar a ferver, acrescente temperos como sal, tucupi preto, várias pimentas inteiras e três pimentas murupi cortadas ao meio. Limpe o peixe; se for peixe de escama faça o tique; se for liso não precisa ticar. Corte o peixe em pedaços médios e ponha no caldo fervente para cozinhar por alguns minutos. Aí já está pronta a caldeirada. Sirva com beiju seco, beiju mole ou farinha.