Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro


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Nós Indígenas do Rio Negro

Quem somos, como vivemos, nossos costumes e tradições

No alto e médio rio Negro, somos 22 povos indígenas falantes de línguas das famílias Tukano Oriental, Aruak e Maku (saiba mais). A nossa diversidade linguística é uma das maiores características que temos e esta se reflete na organização social e na ocupação dos nossos territórios. Cada uma das 22 etnias que vivem no alto e médio rio Negro se diferenciam entre si, ainda que apenas em certos aspectos. Algumas das características comum entre nós dizem respeito aos mitos, às atividades de subsistência, à arquitetura tradicional e cultura material. Essas similaridades são mais evidentes entre os grupos falante de Tukano Oriental e Aruak. Por se estabeleceram na beira dos rios, esses grupos são conhecidos como “povos do rio”. Entretanto, os povos de língua Maku possuem características únicas, são chamados de “povos da floresta” por se estabelecerem nos interflúvios os rios, no interior da mata.

Povos do Rio

São os grupos Tukano Oriental e Aruak. O grupo Tukano Oriental habita principalmente a bacia do Uaupés e seus afluentes: Tiquié, Papuri, Querari, Iauiari e Japú.  Atualmente existem mais de 200 comunidades e sítios, com uma população em torno de 6.000 pessoas, sendo que quase a metade vive em Iauaretê. A população indígena dessa região é divida em cerca de 15 grupos lingüísticos exogâmicos (se casam com pessoas de outros grupos linguísticos) e patrilineares (onde o pai determina a etnia dos filhos). As etnias na bacia do Uaupés são: Arapaço, Barasana, Bará, Desana, Cubeo, Karapanã, Makuna, Miriti-Tapuia, Siriano, Tariano, Taiwano, Tatuyo, Tukano, Tuyuka e Wanano.

Os grupos Aruak são: Baniwa, Coripaco, Baré, Werekena e Tariana. Estes não estão concentrados majoritariamente em uma única região, os Baniwa e Coripaco habitam o Içana e seus afluentes Ayari, Cuiari e Cubate. Os Baré estão principalmente na região do rio Negro. Os Werekena no rio Xié e os Tariana na região do Uaupés. Estes últimos vivem há muito tempo na região do Uaupés, onde estabeleceram uma rede matrimonial e sócio-político junto aos povos Tukano e hoje apenas um pequeno grupo fala a língua tariana. Uma etnia não ocupa necessariamente uma única área. Atualmente é comum encontrar representantes de uma mesma etnia em regiões diferentes e distantes entre si. Por exemplo, os Tukano são encontrados desde o médio rio Negro até o alto curso dos rios Papuri e Tiquié.

Os povos dos rio se organizam em “comunidades”, nome dado há décadas pelos missionários católicos – e adotado também pelos protestantes – aos povoados que vieram a substituir as antigas malocas comunais, que eram grandes casas que serviam de moradia para várias famílias. A comunidade compõe-se, geralmente de um conjunto de casas com paredes de casca de árvore, pau-a-pique ou tábuas e cobertura de palha ou zinco, construídas em um amplo pátio aberto, uma capela (católica ou protestante), uma escolinha e, eventualmente, um posto de saúde. Há comunidades que possuem apenas as casas de moradia. Cada comunidade possui um capitão, que na verdade não tem relação nenhuma com hierarquia militar ou de pessoa que pune e dá ordens. De fato, o capitão é sempre um homem, que tem o papel de reunir o grupo, “animando-os” para trabalhos comunitários e também respondendo às demandas gerais ligadas às tarefas. Na maioria dos casos ele apenas orienta, sem impor sua posição. O mesmo também pode ser um interlocutor com os brancos. Os grupos Tukano Oriental e Aruak possuem grande habilidade de se locomover por rio e técnicas especiais desenvolvidas para agricultura e pesca.

Povos da floresta

Os grupos de língua Maku são divididos em 4 etnias sendo elas: Hupde, Yuhup,  Nadëb e Dow. Os Maku se diferenciam das outras etnias por viverem no interior da floresta, longe das margens dos rios navegáveis. Eles dedicam grande parte de suas atividades econômicas a caça e à coleta, embora pratiquem a agricultura da mandioca, mas de forma bastante modesta em relação a outros povos. As suas aldeias se situam em pequenas clareiras na mata com distancia de 3 a 4 horas de caminhada dos rios e igarapés navegáveis. Essas aldeias não costumam reunir mais do que vinte ou trinta pessoas (com cinco a seis famílias). Os povos da floresta tem seus próprios mitos que são diferentes dos povos do rio. O fato de estarem longe das margem dos rios e viverem no interior da floresta, tem mantido esses grupos à margem do processo de mudança cultural decorrente da presença dos brancos na região. Por isso rituais como de Jurupari, ainda são praticados entre eles. Porém esse mesmo ritual ficou em desuso entre os povos dos rios, por conta da ação de católicos e protestantes que os proibiram.

Fonte: Cabalzar, Aloísio.; Ricardo, Carlos A.: Povos Indígenas do alto e médio Rio Negro: uma introdução à diversidade cultural e ambiental do noroeste da Amazônia Brasileira. São Paulo: Instituto Socioambiental; São Gabriel da Cachoeira: Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, 1998.